Se tem uma coisa que eu sou, é privilegiado. Nasci branco em um país racista. Homem em um país machista. Cis em um país transfóbico. Não venho de família rica, bem longe disso, mas sempre tive uma boa estrutura que me garantia educação, saúde, lazer… Isso, que deveria ser o básico, se a gente lembrar que eu sou brasileiro, é um PUTA de um privilégio.

Ao mesmo tempo sou LGBT, ok sou o G da sigla, mas ainda assim sujeito à homofobia e sou HIV+, uma doença ainda absurdamente carregada de estigmas e conceitos ultrapassados.

Em resumo, sou parte de…


É muito comum quando se fala em HIV e prevenção separar as pessoas em dois grupos: as que possuem o vírus e as que não.

As primeiras são quase que ignoradas, afinal, elas já tem mesmo, qual o sentido de se falar em prevenção? E as segundas, a resposta é CAMISINHA. Assim mesmo, gritando. E isso é errado em alguns níveis.

O primeiro erro é essa separação. As pessoas não transam sozinhas, o nome disso é masturbação. Elas transam em duas ou mais pessoas e isso pode reunir as mais diversas combinações entre aqueles que possuem HIV e os que…


Já levei para a terapia isso, mas queria falar aqui também. Eu fui a criança criada para ser perfeitinha, sabe? Educado, inteligente, comportado. Desde sempre senti que a cobrança em torno de mim era muito grande, como se a perfeição fosse o mínimo que eu devesse oferecer.

Junte a isso a culpa que nós LGBTs ainda carregamos e pronto: a fórmula para eu ser aquela pessoa que precisa mostrar perfeição está montada. Com o passar dos anos, fui me entendendo e me aceitando. E, principalmente, bancando eu não ser a pessoa que o mundo espera.

Mas uma barreira ainda me…


Ser gay, pelo menos da minha geração, é não ter uma historinha bonita de primeiro beijo e de primeira vez. Meu primeiro beijo foi com 17 anos, com uma menina. E só aconteceu por atitude dela. Já o primeiro beijo gay foi escondido em um carro no estacionamento do shopping. Com alguém com mais que o dobro da minha idade na época.

A primeira vez foi com esse mesmo cara, no segundo encontro, em um motel de beira de estrada. Esse cara, aliás, eu conheci no Bate Papo UOL. …


Esses dias eu ouvi de um amigo que eu era corajoso de expor a minha cara no meu Twitter +18. Fiquei uns segundos pensando nisso. O que existe de corajoso ali?

Quem entra no perfil descobre que eu posto fotos e um ou outro vídeo pelado, uns de pau duro, outros molinho. E o que me deixa pensativo é justamente esse enorme tabu que ainda existe em torno de corpo, de sexo.

E vamos começar separando as duas coisas. Um corpo nu não é um convite ao sexo. É apenas um corpo, como ele é. Existe uma cultura que associa…


Não vou fingir aqui que 2020 foi um ano paz e amor. O mundo estava pesado para um caraio, pessoas morrendo, uma pandemia com uma crise que provavelmente será a maior crise que vamos enfrentar em vida. Não sou blogueiro de good vibes, namastê e etc.

Mas, ao mesmo tempo, não vou fazer a cena que nossa, eu sofri pra caralho, foi muito difícil e afins. Para começar, quando a pandemia mandou todo mundo se trancar em casa, eu só olhei para o meu computador e pensei: ok, como será?

Já trabalhava desde 2012 como home office, não era um…


Eu sou gay. Gay casado em um relacionamento aberto. Gay HIV+ casado em um relacionamento aberto sorodiscordante.

Tem muita coisa nessa frase que pode gerar dúvida nas pessoas. SObre a vida gay, sobre relacionamentos abertos, sobre minha sorologia, sobre relacionamento sorodiscordante. É muita coisa. E eu tenho zero obrigação de esclarecer as pessoas sobre cada uma dessas pessoas.

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Sempre que eu vejo debates sobre pessoas trans pela internet e elas falam que não tem obrigação de educar as…


Olha, isso parece algo bem óbvio. E talvez seja para você. Mas, para mim, com 37 primaveras, é algo que é mais do que necessário relembrar. Lá em março, quando a gente foi trancafiado em casa, rolou uma ingênua sensação de que logo tudo aquilo passaria e a vida iria retomar ao normal.

E foi com essa sensação que eu e muita gente colocou a vida quase que totalmente em stand by. Ah, quando as coisas voltarem eu retomo os exercícios, retomo as aulas, começo aquele projeto verão.

E o que aconteceu? As coisas não voltaram ainda. Não, elas não…


Masturbação é legal. Bem legal. Mas queria falar sobre mais do que isso, sobre corpo.

Antes de começar, quero deixar claro que estou falando sob a perspectiva e um homem cis, ok? De alguém com um pênis. Um pinto. Um pau.

Lembro das minhas descobertas de masturbação e do prazer que aquilo causava em mim. Ainda bem que, mesmo sendo criado com formação católica, não tive culpa com isso. Em palavras triviais, fui orgulhosamente um adolescente punheteiro.

Mas a nossa masturbação é — em sua maioria — focada nele, no pau. É a mão no pau e fap fap fap. Mas tem tanta coisa mais legal, viu?

Nosso corpo é todo cheio de terminações nervosas sensíveis que, em um momento de prazer, são bem divertidas. Sabe quando o boy dá…


Eu já queria começar falando que não gosto da cultura do cancelamento. Esse fenômeno tão comum ultimamente em redes sociais me desagrada por algumas razões.

A primeira delas é pelo fato de ela não permitir diálogo. Fez algo “errado”? Tá cancelado. Suas desculpas são falsas, suas tentativas de aprender sobre o tema são vazias e só para agradar o público das redes sociais, não merece segunda chance. Ok, isso tudo pode acontecer, mas tem como eu ou você afirmarmos que a pessoa está CAGANDO para o erro e só fazendo cena?

Se você pegar tweets meus de alguns anos atrás…

André Sobreiro

Vivo de internet e cultura! Edito esse blog, o Salada de Cinema e muito mais coisa por aí!

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